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Í.N.T.I.M.O.S.: Lágrimas de Sangue!



E o meu amado,
O que diria se eu partisse?
O que diria se de mim
Nada mais ouvisse?

O que faria se em seus braços,
Tivesse um corpo sem vida?
Uma alma que vagasse,
À procura de uma paixão perdida.

Pois a carne fria que ele toca,
Não passa do fantasma do que foi um dia.
Um zumbi sem alma e sem emoção,
Só um corpo se desfazendo em agonia.

Esqueçamos de uma vez o que passou,
A paixão e o tormento.
Em breve tudo estará consumado,
Minha agonia e o teu casamento.

Enquanto meus lábios silenciam o tormento,
Minha paixão alimenta o teu romance.
Meu coração se rompe num choro amargo,
E a culpa me impede que o alcance.

Guardo em segredo minha dor,
Para não doer em coração alheio.
Amo-o, mas este amor não me pertence,
Somente àquela a quem estes versos não leio.

Sei que quanto mais palavras eu despejar da minha alma,
Mais distante o lançarei dos meus braços.
Mas teus pés se fizeram paralelos a uma trilha,
Que me obriga a ficar longe dos teus passos.

As gotas de sangue que assinam estas palavras,
São as lágrimas derramadas por meu coração.
São provas únicas do quanto me fez sofrer,
Testemunhas da tua traição.

E quando um dia formos julgados,
Você será réu da minha confusão.
Que te condenem sem apelo e sem recurso,
Que o nomeiem culpado pela minha obsessão.

Mas enquanto o juízo não chega,
Aguardo em silêncio que esta dor desapareça.
Pois sei que também serei culpada,
Porque te amei com corpo e cabeça.

Se o corpo e a cabeça são fracos,
Desejando reviver esta paixão,
A alma deseja, inutilmente, tirar do pensamento,
Quem se recusa a abandonar o coração...



Talita Vasconcelos
Sobre a autora: Paulistana, 20 e poucos anos, apaixonada por livros, cinema, música boa, e escrever. Autora de dois livros publicados em e-book: a antologia “A Morte Não é o Fim”, e o romance “Alma de Rosas”, do qual esse poema faz parte.

Í.N.T.I.M.O.S.: Luz própria que seduz!



A ternura mal cabe dentro de si, sua luz ao caminhar, se expande.
Invade os corações obscuros, tudo se transforma,
Seu talento natural de encantar é fascinante.
A doçura e a melodia da sua voz acalma e eleva seu estado de espirito

Seu corpo é quente como chamas em constante ascendência.
Nele posso sim me aquecer até no mais rigoroso inverno.
São chamas de paixão que nunca se apagam e queimam sem deixar feridas!



Jailton Santhos
25 anos, muito família, magro, 1.70 de altura e apaixonado por tudo que lhe faz bem. Um geminiano que adora matemática, mas que também gosta de escrever, principalmente o que desperta o lado oculto e emotivo do ser humano.

Í.N.T.I.M.O.S.: Separação!



Se a velha companheira morte, que me persegue desde o nascimento
Pudesse do pranto interno do meu ser, privar-me de ver o amanhã,
Ser-lhe-ia agradecido encarecidamente,
Poupar-me-ia do sofrimento que me aguarda após o sono que tardou a chegar.

O nó na garganta, as pernas bambas, o coração fora do ritmo...
Sinto a lâmina fria do punhal em meu peito rasga-lo ao meio,
Agonizo em meu próprio sangue.



Marte
Sobre o autor: Marte é um pseudônimo, o autor do poema preferiu manter sua identidade privada. 

Não vou mais lavar os pratos - Cristiane Sobral!


Nem vou limpar a poeira dos móveis
Sinto muito. Comecei a ler
Abri outro dia um livro e uma semana depois decidi
Não levo mais o lixo para a lixeira
Nem arrumo a bagunça das folhas que caem no quintal
Sinto muito. Depois de ler percebi a estética dos pratos
a estética dos traços, a ética

A estática
Olho minhas mãos quando mudam a página dos livros
mãos bem mais macias que antes
e sinto que posso começar a ser a todo instante
Sinto
Qualquer coisa
Não vou mais lavar
Nem levar.
Seus tapetes para lavar a seco
Tenho os olhos rasos d’água

Sinto muito
Agora que comecei a ler, quero entender
O porquê, por quê? E o porquê
Existem coisas
Eu li, e li, e li
Eu até sorri
E deixei o feijão queimar…
Olha que o feijão sempre demora a ficar pronto
Considere que os tempos agora são outros…

Ah,
Esqueci de dizer. Não vou mais
Resolvi ficar um tempo comigo
Resolvi ler sobre o que se passa conosco
Você nem me espere. Você nem me chame. Não vou
De tudo o que jamais li, de tudo o que jamais entendi
você foi o que passou
Passou do limite, passou da medida, passou do alfabeto
Desalfabetizou

Não vou mais lavar as coisas e encobrir a verdadeira sujeira
Nem limpar a poeira e espalhar o pó daqui para lá e de lá para cá
Desinfetarei as minhas mãos e não tocarei suas partes móveis
Não tocarei no álcool
Depois de tantos anos alfabetizada, aprendi a ler
Depois de tanto tempo juntos, aprendi a separar
Meu tênis do seu sapato
Minha gaveta das suas gravatas
Meu perfume do seu cheiro
Minha tela da sua moldura

Sendo assim, não lavo mais nada
e olho a sujeira no fundo do copo
Sempre chega o momento
De sacudir, de investir, de traduzir
Não lavo mais pratos
Li a assinatura da minha lei áurea escrita em negro maiúsculo
Em letras tamanho 18, espaço duplo
Aboli


Não lavo mais os pratos
Quero travessas de prata, cozinhas de luxo
E jóias de ouro
Legítimas
Está decretada a lei áurea.

P.S.: Minha amiga Anastácia Santana, colaboradora aqui no Mais íntimo me apresentou este poema e eu fiquei tão encantada que resolvi compartilhar com vocês!

Palavras não ditas...



- E quando foi que nós nos transformamos nisto?

- Qual foi o momento em que minha vida sem você tornou-se muito mais interessante?

Não me lembro de ter fechado a porta, muito menos, de ter dito Adeus... Mas o ar ficou tão mais leve desde que você se foi e eu que pensei em morrer sem você. Eu não morri, na verdade eu continuo seguindo em frente lentamente, ao ritmo do tempo!

Não lembro quando parou de chover no meu telhado, mas percebi que o frio parou de ser doloroso e a solidão tornou-se apenas uma questão de opinião e pra mim estar sozinha é algo muito libertador...

- Estou assustada... O tempo passou? E eu que pensava que as coisas poderiam ser eternas... Será que eu ainda te amo? Será que um dia eu te amei? Nem sei. Não é importante. Não mais!

Eu tentei fazer diferente, ser a diferença, mas não adiantou...
- E quem desistiu de quem primeiro? Eu de você ou você de mim?
- Isso importa? Não, nada mais importa.

Ontem era tão importante, tudo tão assustadoramente necessário e hoje tudo mudou. O meu mundo tornou-se tão meu, nada mais seu, nada além de mim...

Sinto tanto, por tudo, por enquanto...
- Poderíamos ter sido felizes?
- Acho que não, talvez, não sei...
Mas eu te amei tanto... O amor não é tão completo ou sei lá uma fórmula mágica, como dizem por ai...

- Promete que você ficará bem?

Cuide-se, isso me deixaria imensamente feliz. Eu me importo contigo e sei que você cuida diariamente de mim. E quando pensamos não ter sobrado nada, confesso que fico feliz em saber que restou o AMOR.


Tontos!



Estavam tontos
Se entrelaçavam a todo instante.
Se esbarravam, sorriam discretamente.
Os olhos e corpos eram cúmplices.
 Código e entre ele perpetuavam no ar.

De início a pirraça:
Não queriam, não aceitavam
Ironia, luta, desdenho.
Mas era incontrolável.
Estava escrito.

Eram teimosos.
Afastavam-se
Rejeitavam-se friamente.
Tolos!
Tudo o que tentavam abafar eclodia ferozmente.
Queimava as veias.

Enfim algo mais forte os colocou de frente
Não tinham palavras.
Não havia controle.
Estavam completamente tontos.
__ Era amor!
  
Anastácia Santana

Saudade dói!


Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,
Ou quando alguém ou algo não deixa que esse amor siga,
Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania
de estar sempre ocupada;
se ele tem assistido às aulas de inglês,
se aprendeu a entrar na Internet
e encontrar a página do Diário Oficial;
se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
se ele continua preferindo Malzebier;
se ela continua preferindo suco;
se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;
se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor;
se ele continua cantando tão bem;
se ela continua detestando o MC Donald's;
se ele continua amando;
se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;
não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;
não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer;

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você,
provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...
(Miguel Falabella)

E si...



E si de repente tudo acontece?...
E si atravessasse o sinal de olhos fechados?
E si me deixasse levar pelas ondas?
E si tudo isso não me causasse algum mal?

E si fizesse tudo que penso?
E si ouvissem tudo que penso?
E si não pensasse?

E si tomasse o maior dos porres?
Tomando chuva de madrugada
Tomada por loucas musicas de rock’in roll
Desatando todos meus lados.

E si...
           Por alguns instantes...
                        Me permitisse ser feliz?

Fuga!



Demorei tanto tempo para sair deste coma. Passei tanto tempo visualizando borboletas... Mas o que é bom sempre tem um final. No entanto, sinto-me tão presente em nosso passado. Percebi que essa doce ilusão ocorre porque as lembranças não mudam, porém as pessoas mudam em uma fração de segundos. Talvez seja melhor não insistir. O melhor agora é fugir de tudo isso... E as minhas sonhadas férias tornaram-se uma fuga. De quem fujo? De mim mesma!

PS: Não adianta esperar atitude de quem não tem. (Charlie Brown Jr.)

Esse poema/texto é meu, eu também escrevo poemas, qualquer dia eu vou postar eles por aqui. Aguardem Surpresas!

Estes? Já não há!



Há! Infância...
Todos têm saudades dela
Do tempo em que nossa única preocupação
Seria qual tipo de brincadeira, brincaremos amanhã
Um tempo que ainda existia inocência
Há! Inocência
Infelizmente, nos dias atuais, foi perdido seu significado
Junto com a pureza
Há! Pureza
O que falar dela? Que ela está em extinção?
Não venha com esse pensamento de que eu estou exagerando,
Pois é a mais pura realidade, a mais cruel realidade
Os valores?
Há! Estes já não há mais
(Gláucia Santana)


PS: Estes poemas são da minha amiga de infância, e que por sinal é prima da minha colaboradora Anastácia Santana. Espero que vocês gostem do texto, e que ela se torne colaboradora aqui no blog. Beijocas!

Encontro comigo!



Paro, e vou de encontro a mim. E me deparo com uma garota amadurecida, convicta de suas opiniões e certa do que quer. Percebo que está não sou eu, é apenas um reflexo do espelho dos meus desejos, em que me deixa confusa do que sou e do que quero ser.

Dou-te apenas um conselho: ter muito cuidado, quando mergulhamos em nosso ser, pois ele é como o mar, profundo e obscuro. E se não o conhecemos bem, ele pode abrigar armadilhas contra nós.

Fui pega pelo passado, que aliais minha mente guardou muito bem, e observo que como o tempo é poderoso, mesmo sendo silencioso ele tem a capacidade de mudar tudo em nós, até o que não queremos.
Depois dessa viajem extraordinária em minha alma, sinto que a saudade do passado aperta, bate certa curiosidade do futuro, mas nada é melhor do que o presente.
(Gláucia Santana)

PS: Estes poemas são da minha amiga de infância, e que por sinal é prima da minha colaboradora Anastácia Santana. Espero que vocês gostem do texto, e que ela se torne colaboradora aqui no blog. Beijocas!

Descoberta!

 E agora borboleta?
Me diz ,o que eu faço?
Descobri que os castelos que edifiquei eram de areia.
Que os tetos mais fortes eram de vidro.
Que minhas pontes eram construídas de papel.

Borboleta, borboleta,
Todos os mantos que me cobriam eram transparentes.
Até meus tijolos eram de vidro, a minha pele é vidro.
Só os meus olhos não viam. Eles sim são revestidos de cimento. Cinzentos.

Olha borboleta, todos viam, eu era transparente e não sabia.
Quanto mais me cobria, tudo revelava.
Sempre despida, não sabia.

Ninguém falava: Tão tolo acreditava que era tudo oculto.
Borboleta alguém chegou e me disse.
Como se minha consciência falasse!
E mais outros disseram... Insinuaram...
A consciência veio pela boca de terceiros... Quartos...

Borboleta só falo contigo e de boca fechada
Porque sei que não fala e tem vida curta.

Ser negro...


Ser negro...
Não se resume à questão de pele.
Não se resume à questão dos cabelos crespos.
Ser negro é...
Sentir-se negro num país miscigenado.
Assumir as suas raízes.

Ser negro é ter...
Coragem.
Atitude.

Ser negro é...
Lutar para ser igual nas diferenças.
Acreditar que não é inferior a ninguém.

Ser negro...
Ter princípios.
Valorizar a beleza.
Ser capaz.
Fazer acontecer neste país onde pessoas
ainda são influenciadas por ideias pré-concebidas.

Enfim...
Ser negro é "ser humano"!
(Robélia Aragão)

Toque



Clareia a manhã
E na janela alguém bate
-o vento. Toque no rosto.
Um doce toque
E o que é o toque?
Um leve despertar aos sentidos
Que de súbito às vezes se torna brusco por mais que seja leve que seja
Tao leve o toque
O corpo todo treme
Tao leve o toque
O corpo lembra que ainda vive
E dorme em acalento
Ou se inquieta discretamente   
Apenas um toque
E todo alvoroço se acalma
Se aquieta
Retribui-se o toque?
Este já se torna trivial.

Minha poesia!


Assim te vejo
Leve, sublime, envolvente
Tu és inteiramente poesia
Olhos mansos, voz suave e forte que desperta.
Postura elegante
Tu és inteiramente, poesia
Respeitavelmente poesia
Lindamente poesia
É pena que quando fecho o livro
Me encantei pela poesia
Passa-se pouco tempo nem lembro mais as poesias
E assim também é contigo
Porque tu és poesia.
Minha poesia
Minha poesia preferida
Somente as preferidas, não esqueço!